Brasiléia ganha destaque internacional em congresso sobre saúde neonatal na Colômbia
- Prefeitura de Brasiléia

- há 21 horas
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Por Fernando Oliveira
Fotos: Assessoria
O município acreano de Brasiléia, que possui cerca de 26 mil habitantes segundo dados do IBGE, entrou no cenário internacional da saúde neonatal após a participação da nutricionista neonatal Janilda Moraes no 5º Congresso Internacional da ALSEPNEO (Associação Latino-Americana de Seguimento Pediátrico e Neonatal), realizado entre os dias 20 e 22 de maio de 2026, em Medellín, na Colômbia.
Especialista em nutrição neonatal e atuando há mais 17 anos no acompanhamento de bebês prematuros, Janilda foi convidada pela própria organização do evento para participar como conferencista, representando o município acreano no encontro científico internacional, que reuniu profissionais de diversos países da América Latina sob o tema “Transformando o seguimento hoje, construímos futuro”.

Durante a apresentação da palestra “Prematuros na atenção básica: experiências e desafios no município de Brasiléia, Acre”, a especialista apresentou casos acompanhados na atenção básica do município, destacando o trabalho desenvolvido com bebês prematuros em situação de alta vulnerabilidade social e clínica.
“Quando cheguei à cidade, existiam apenas números sobre a prematuridade. Nós começamos a fazer o acompanhamento desses bebês e os resultados começaram a aparecer. Conseguimos acompanhar a curva de peso, o desenvolvimento e a alimentação dessas crianças”, destacou Janilda Moraes.
Entre os casos apresentados, a nutricionista relatou o acompanhamento de um bebê que chegou à unidade básica com apenas 2,8 kg e hoje, aos 11 meses, apresenta evolução positiva após acompanhamento nutricional e introdução alimentar adequada.
“Esse é o Theo, que hoje está muito bem. Fizemos toda a transição alimentar e acompanhamento na atenção básica. Foi um dos primeiros casos que mostrou que esse cuidado contínuo pode mudar realidades”, afirmou.
Outro caso apresentado envolveu um bebê atendido aos sete meses de idade cronológica, filho de uma mãe adolescente de 14 anos, em contexto de extrema vulnerabilidade social.
“Foi um caso muito delicado. A mãe relatou uma nova gravidez durante a consulta e o bebê já estava recebendo alimentação inadequada. Precisamos intervir rapidamente para garantir segurança nutricional e desenvolvimento saudável”, explicou a especialista.

Os resultados apresentados pela acreana chamaram a atenção dos participantes internacionais e renderam propostas de parcerias para implantação do modelo de acompanhamento desenvolvido em Brasiléia em outros serviços de saúde da América Latina.
A participação de Janilda ganha ainda mais relevância diante do cenário preocupante da prematuridade no Acre.
Dados do Datasus apontam que o estado registrou taxa de 14,02% de nascimentos prematuros entre 2017 e 2021, considerada a maior do país.
A mortalidade infantil no estado também permanece acima da média nacional, com 17,2 mortes por mil nascidos vivos.
Segundo a especialista, grande parte dos casos pode ser reduzida com acompanhamento adequado durante a gestação e fortalecimento da atenção básica.
“Nem tudo está perdido. Muitas causas da prematuridade podem ser prevenidas ou controladas com pré-natal adequado, acompanhamento multiprofissional e orientação às famílias”, ressaltou.
Além da atuação na atenção básica de Brasiléia, Janilda Moraes também é representante da Associação Brasileira de Pais, Familiares, Amigos e Cuidadores de Bebês Prematuros, entidade ligada ao Ministério da Saúde e referência nacional na defesa dos direitos e no fortalecimento da assistência aos bebês prematuros e suas famílias.










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